Técnica de enfermagem é presa por venda de canetas emagrecedoras e desvio de remédios de hospital de Campinas
17/04/2026
(Foto: Reprodução) Isabella Carolina dos Santos foi presa em Campinas por vender medicamentos desviados de hospital público
Reprodução/EPTV
Uma técnica de enfermagem de 29 anos foi presa, em Campinas (SP), por suspeita de vender canetas emagrecedoras sem registro da Anvisa. A mulher também teria desviado medicamentos do Hospital Municipal Ouro Verde.
(CORREÇÃO: ao publicar esta reportagem, o g1 errou ao informar que a técnica de enfermagem foi presa por vender medicamentos desviados do Hospital Ouro Verde. A Polícia Civil esclareceu que a suspeita desviava os remédios, mas ainda investiga a motivação. A reportagem foi corrigida às 13h56.)
A EPTV, afiliada da TV Globo, apurou com exclusividade que Isabella Caroline dos Santos atraía clientes dentro da unidade hospitalar, onde trabalhava, e fazia as vendas por meio de um aplicativo de mensagens.
De acordo com a Polícia Civil, a investigada atuava como intermediadora em uma organização criminosa. Ela, inclusive, contava com um motoboy para fazer a entrega das canetas emagrecedoras para os compradores.
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Mandados de busca e apreensão foram cumpridos nesta quinta-feira (16) na casa da suspeita e no Hospital Mário Gatti e Maternidade Municipal.
No endereço residencial foram encontrados diversos medicamentos, incluindo um opioide classificado como entorpecente pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), seringas e agulhas.
A profissional de saúde foi presa e deve responder por crimes de falsificação, corrupção, adulteração de produtos medicinais e tráfico de drogas.
A Rede Mário Gatti informou em nota que a mulher era funcionária de empresa terceirizada e que pediu o afastamento dela. Uma sindicância também deve ser aberta para apurar o caso.
Isabella passou por audiência de custódia nesta sexta (17), a prisão foi mantida. A reportagem tenta localizar a defesa de Isabella para pedir uma posição.
Como funcionava o esquema
A reportagem teve acesso a uma das conversas da suspeita com uma pessoa interessada em comprar os medicamentos. Em uma das mensagens, ela explica que o valor da caneta emagrecedora é de R$ 500 e que a ampola permite cinco aplicações. Depois, envia o link de vídeo explicativo de como o produto deve ser usado (assista na reportagem acima).
Em determinado momento, o cliente pergunta se o remédio é fabricado no Brasil. Isabella diz que a caneta é do Paraguai e insiste: "vai querer ou não? É para falar logo". A técnica de enfermagem ainda detalha que só aceita pagamento em dinheiro e que a entrega seria feita na rua de trás da maternidade, em frente a um cartório.
As negociações eram feitas pelo celular da investigada, que foi apreendido para perícia, como explicou o delegado Marcelo Fehr da Delegacia de Investigações Gerais (DIG). "Encontramos uma série de conversas dela, demonstrando que, de maneira permanente, ela vinha fazendo essas vendas dessas ampolas emagrecedoras, todas vindas de fato do exterior, por um preço médio de R$ 1,2 mil".
"Então eram várias entregas que ela fazia, várias encomendas que ela recebia, deixando muito clara a existência de uma estrutura organizada para a prática desses crimes. Havia pessoas de quem ela comprava esse medicamento, os fornecedores dela, e também uma cadeia logística de distribuição", detalha. Ainda segundo Fehr, seringas eram oferecidas como brinde.
Suspeita alegou ter esquecido seringas no bolso
No momento da abordagem para cumprimento dos mandados de busca, Isabella tentou apagar mensagens do celular, segundo a Polícia Civil, e deu explicações de porque os medicamentos e seringas estavam sob sua posse. Parte dos produtos apreendidos tinha nomes de pessoas escritos à mão, no verso, e identificações dos hospitais de origem, relatou o delegado.
"Alegou que é comum na atividade de enfermagem que eles coloquem as seringas, os medicamentos, no bolso do avental e quando encerram a jornada de trabalho esquecem de devolver e, por isso, ficou na casa dela. Uuma prática, obviamente, que é totalmente contrária às normas sanitárias. Ela não poderia estar armazenando na casa dela esses produtos que foram, obviamente, subtraídos".
"[Na casa dela] tinham muitos medicamentos que não são controlados, mas que estavam em poder dela, além dessas seringas, tudo pertencente a esse hospital, e também tinha um medicamento especificamente que é um analgésico opioide, ou seja, um medicamento absolutamente controlado pela Anvisa. Então ela foi presa em flagrante também pelo crime de tráfico de drogas".
A Polícia Civil ressaltou, porém, que nada de ilícito foi encontrado nos hospitais alvos do mandado e que todo o material apreendido estava na casa da suspeita. Além disso, ela teria de clientes, alguns com recorrência e até envios de mensagens com feedbacks sobre os resultados obtidos a partir do uso dos produtos.
Próximos passos da investigação
Isabella passou por audiência de custódia nesta sexta (17), a prisão foi mantida.
De acordo com o delegado responsável pelo caso, os próximos passos da investigação devem identificar os outros envolvidos no esquema ilegal de vendas de medicamentos.
"Identificar os outros integrantes dessa associação criminosa e também restituir ao hospital esses objetos para que eles possam tomar as providências administrativas. Paralelamente a isso também temos que comunicar o conselho de classe dos enfermeiros para que eles também façam a auditoria interna deles com relação a essas infrações funcionais que ela vinha cometendo".
O que dizem os citados
A Rede Mário Gatti, repsonsável pelo Ouro Verde, informou que não tinha conhecimento do caso e que a profissional é uma técnica de enfermagem terceirizada e não contratada pela rede. "Assim que soube da ação policial, imediatamente, a diretoria do hospital solicitou e a empresa contratante da profissional informou que vai abrir uma sindicância para apuração dos fatos".
Ainda segundo o Mário Gatti, foi solicitado o afastamento da profissional da função que exercia no hospital. Ao final da sindicância, "uma das penalidades poderá ser o desligamento da profissional pela empresa com a qual mantém contrato. A Rede Mário Gatti está à disposição da polícia para colaborar com as investigações.
O Hospital Maternidade de Campinas, alvo de um dos mandados de busca e apreensão, informou que, até o momento, não foi procurado pelas autoridades e que, caso seja demandado, irá colaborar integralmente com os órgãos competentes, esclarecendo ainda que a pessoa citada não integra seu quadro de colaboradores.
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